- Referência: Francis-Tan A, Mialon HM. “A diamond is forever” and other fairy tales: The relationship between wedding expenses and marriage duration. Economic Inquiry 53(4):1919–1930, 2015.
- Link/DOI: https://doi.org/10.1111/ecin.12206 (PDF da versão publicada: https://www.csus.edu/faculty/m/fred.molitor/docs/wedding%20expenses%20and%20marriage%20duration1.pdf; SSRN: https://papers.ssrn.com/abstract=2501480)
- Status: ✅ lido no original (data: 2026-10-18)
- Força da evidência: fraca (amostra online não probabilística, dados retrospectivos, transversal)
- País e período dos dados: EUA; pesquisa online feita por volta de 2014
- Amostra: 3.151 pessoas que já foram casadas (1.455 homens e 1.696 mulheres), recrutadas no Amazon Mechanical Turk. Mais jovens, mais escolarizadas e de renda menor que a população (comparação com a ACS 2012). As regressões usam pesos populacionais
- Desenho: questionário retrospectivo de cerca de 40 perguntas, analisado com modelo de riscos proporcionais de Cox para a dissolução do casamento
- Financiamento e conflitos de interesse: acadêmico (Emory); nada relevante encontrado
O que mediu
O foco é gasto com anel e festa versus duração do casamento. Os controles incluem diferença de idade, raça e escolaridade entre os cônjuges, renda, frequência religiosa, filhos, tempo de namoro e se “aparência” ou “riqueza” do parceiro foram importantes na decisão de casar.
Achados principais
Razões de risco (hazard ratios) de divórcio, modelo multivariado, todas as pessoas, com pesos populacionais (Tabela 2):
| Medida |
HR |
Onde no texto |
| Diferença de idade entre os cônjuges (por ano) |
1,022 (p < 0,01) |
Tabela 2 |
| Diferença de escolaridade |
1,248 (p < 0,01) |
Tabela 2 |
| Diferença de raça |
1,180 (p < 0,10) |
Tabela 2 |
| “Aparência do parceiro foi importante” na decisão |
1,294 (p < 0,01); homens 1,485, mulheres 0,993 |
Tabela 2 |
| “Riqueza do parceiro foi importante” na decisão |
1,338 (p < 0,10); mulheres 1,570 |
Tabela 2 |
| Frequenta serviço religioso regularmente (vs. nunca) |
0,625 (p < 0,01) |
Tabela 2 |
| Renda familiar ≥ US$ 125 mil (vs. < US$ 25 mil) |
0,390 (p < 0,01) |
Tabela 2 |
| “Conhecia muito bem o cônjuge” |
0,564 (p < 0,01) |
Tabela 2 |
| Namoraram 3 anos ou mais antes do pedido (vs. < 1 ano) |
0,764 (p < 0,01) |
Tabela 2 |
| Cada ano a mais de idade ao casar |
0,912 (p < 0,01) |
Tabela 2 |
| Festa com gasto ≥ US$ 20 mil (vs. US$ 5–10 mil) |
1,323 (p < 0,10); mulheres 1,595 |
Tabela 2 |
| Festa com gasto ≤ US$ 1 mil |
0,642 (p < 0,01) |
Tabela 2 |
| Anel de US$ 2–4 mil (vs. US$ 500–2 mil), homens |
1,334 (p < 0,05) |
Tabela 2 |
- Na subamostra de casados desde 2008 (Tabela 3), a diferença de idade tem HR = 1,034 (p < 0,05) e a de escolaridade HR = 1,437 (p < 0,01).
- Os autores dizem que os achados podem ser não causais: o tipo de casal que gasta pouco pode ser mais compatível.
Limitações
- O artigo não explica como a diferença de idade foi codificada. A média na Tabela 1 é −0,87, com 1,14 para homens e −2,59 para mulheres, o que sugere diferença com sinal (respondente menos cônjuge), e não diferença absoluta. Assim, “HR 1,022 por ano” deve ser lido com cautela.
- Números muito citados na imprensa, como “5 anos de diferença = 18% mais divórcio” e “10 anos = 39%”, não aparecem neste artigo na forma lida. Não use esses números sem achar a fonte.
- Amostra do mTurk, dados retrospectivos e transversais, e só quem respondeu sobre o primeiro ou atual casamento.
- “Diferença de escolaridade” aparece como variável binária (média 0,59); a definição exata não foi conferida.
Como usamos